Olá à todos! Devido a alguns compromissos, tive que me ausentar do blog no início deste do ano de 2013. Mas hoje trago um artigo inédito sobre a utilização da Hipnose na Odontologia.
Tenho amigos na área, e alguns deles também utilizam a hipnose em suas práticas clínicas. Tanto nós hipnólogos, como os dentistas e/ou odontólogos que utilizam a hipnose, sabemos como é “raro” encontrar novos materiais, textos, vídeos e pesquisas da utilização da hipnose em odontologia, (principalmente conteúdo nacional!).
Desta forma, é com grande alegria e satisfação que trago este artigo escrito pelo amigo Diego Wildberger, — ainda estudante de odontologia cirurgião dentista —, que vem obtendo excelentes resultados com a hipnodontia em Salvador, BA.
Por ser uma técnica pouco difundida no meio médico e odontológico, principalmente em âmbito acadêmico, — onde é apenas citada e não explorada —, a hipnose sempre foi considerada “coisa de outro mundo” apesar de, às vezes, ser pouco utilizada entre boa parte dos cirurgiões dentistas.
O presidente da Federação Interestadual dos Odontologistas (FIO), Wellington Moreira Melo, acompanhado do secretário-geral da entidade, Aroldo Pinheiro Neto, e do tesoureiro, José Carrijo Brow, foi recebido pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, na última terça-feira (8), em Brasília (DF).
Wellington Mello falou da situação da entidade e de seus sindicatos afiliados e entregou ao ministro uma lista de reivindicações com os seguintes pontos:
Fortalecer os mecanismos de avaliação e controle dos recursos financeiros repassados aos estados e municípios no setor da saúde;
Continuar investindo e incentivando a qualificação dos gestores nos três níveis de atenção;
Ampliar as equipes de saúde da família;
Fortalecer e ampliar o processo de implantação da fluoretação das águas de abastecimento público;
Tornar mais eficiente o planejamento, o empenho e a execução dos recursos financeiros destinados ao programa Brasil Sorridente;
Trabalhar pela regulamentação da Emenda Constitucional 29;
Ampliar os Centros de Especialidades Odontológicas;
Realizar a 4ª. Conferência Nacional de Saúde Bucal;
Destacar a política de saúde bucal nos meios de comunicação, em caráter informativo e educativo;
Inclusão do SUS das práticas interativas complementares na saúde bucal, acupuntura, hipnose, terapia floral, homeopatia e laserterapia.
O ministro Alexandre Padilha questionou os dirigentes da FIO quanto ao número atual de desdentados no Brasil e demonstrou interesse em zerar esta dívida nos quatro anos de governo Dilma.
Wellington Melo afirmou que essa meta é realmente muito importante para o resgate da cidadania da população brasileira, mas também é bastante audaciosa, uma vez que existe hoje uma grande carência de técnicos em prótese, em especial nas regiões que mais necessitam de atendimento.
O presidente da Federação disse que a entidade aceita encarar o desafio proposto pelo ministro, por entender que se trata de uma empreitada de grande magnitude, cujo êxito dependerá da participação de todos os setores envolvidos com a saúde bucal no Brasil.
Originalmente publicado em 10/Fev/2011, no site A Crítica de Campo Grande.
Samej Spenser atendendo uma cliente (Inverno de 2011) | Foto: Arquivo pessoal de Samej Spenser
Dos filmes misteriosos para um consultório bem perto de você, a hipnose cada vez mais se afasta do universo místico para auxiliar as práticas da medicina moderna. Relaxe e leia.
Introdução
Ainda é difícil pensar em hipnose sem imaginar uma atmosfera de magia e mistério. Mas essa ideia está com os dias contados. A hipnose cada vez mais se afasta do universo místico para atuar lado a lado com as modernas práticas médicas. Quem ganha com isso é o paciente: a hipnose não tem contraindicações ou efeitos colaterais e ainda é capaz de abreviar muitos tratamentos.
A sensação provocada pelo estado de hipnose é bem primitiva e muito prazerosa
A hipnose vem sendo aplicada no tratamento de uma enorme gama de distúrbios de saúde como estresse, insônia, traumas, enxaqueca, vícios, obesidade, hipertensão, vitiligo e ainda todo tipo de doenças de fundo emocional que resultam em problemas respiratórios, digestivos, cardíacos ou sexuais. Até o hábito de roer unhas, a gagueira ou a incontinência urinária podem ser tratadas a partir da hipnose.
Quem já experimentou garante que é ótimo. A sensação provocada pelo estado de hipnose é bem primitiva e muito prazerosa. O corpo relaxa, o coração bate mais devagar, a respiração se acalma. Uma expressão mais serena e relaxada toma o rosto do paciente e a cabeça pode tombar para trás, para o lado ou para frente, suavemente.
Internamente, uma analogia com a visão de uma estrela através de uma luneta ajuda a entender o que acontece no transe hipnótico. Embora saibamos que existe todo um universo ao redor da estrela que observamos, ele não importa naquele momento, não o vemos. Fixamos nossa atenção apenas na estrela que nos interessa. A estrela, portanto, é a situação a ser tratada na hipnose.
Qualquer pessoa pode aprender em poucas horas a hipnotizar
Durante o transe hipnótico, sob um estado alterado de consciência, o paciente consegue enfocar um problema físico ou emocional que queira tratar. Quando o paciente focaliza o seu passado, pode acontecer a regressão. Com a intervenção de um bom profissional, a hipnose pode ser muito produtiva no sentido de trabalhar traumas da história do paciente que refletem negativamente em sua vida.
Há várias técnicas para levar o paciente ao transe hipnótico, todas muito simples. Qualquer pessoa pode aprender em poucas horas a hipnotizar. O difícil é processar a terapia nesse estado. Administrar a hipnose exige criatividade e atenção completa do terapeuta para que o estado de consciência do paciente seja alterado de modo a acessar seus recursos até então inconscientes. São eles que vão ser utilizados na cura.
Algumas pessoas parecem ser mais sensíveis à hipnose do que as outras e a explicação para o fato pode estar na inteligência. Segundo alguns teóricos e a experiência prática, quanto mais dotado de inteligência o hipnotizado, melhores os resultados.
A utilização da hipnose como anestésico é muito antiga
Embora soe como novidade, a utilização da hipnose como anestésico é muito antiga. Alguns médicos cirurgiões do século XIX modificavam o estado de consciência de seus pacientes para operar sem dor.
Além dos dentistas, médicos e psicólogos também empregam a hipnose. Para isso, é preciso conhecer as técnicas de indução hipnótica e os processos psicodinâmicos, além da neurofisiologia humana.
Em alguns problemas, como dores e certos distúrbios emocionais, a hipnose por si só pode conseguir os objetivos desejados. Em outros, como nas doenças psicossomáticas, a técnica tem sido utilizada como prática auxiliar de grande valia.
A união da hipnose com a psicanálise tem conquistado bons resultados
A psicóloga Sônia Eustáquia Santos, de Belo Horizonte, vem utilizando a hipnose em vários distúrbios de comportamento através do método ericksoniano de hipnose, vertente criada a partir dos estudos de Milton Erickson, um importante teórico do tema. No ano passado, a psicóloga conseguiu, com a ajuda da hipnose, entre 85 e 93% de sucesso no tratamento de problemas de ordem sexual, como disfunções ejaculatórias e eréteis e distúrbios do desejo e de orgasmo feminino.
Embora sejam técnicas bem distintas, a união da hipnose com a psicanálise tem conquistado bons resultados. Isso acontece porque enquanto a psicanálise trabalha com a consciência em associações livres, com a transferência e análise das transferências como elementos básicos, a hipnose afasta a consciência e atua mais diretamente sobre o inconsciente, fazendo com que este, a seu modo, processe as mudanças utilizando os potenciais positivos do indivíduo.
“Freud acreditava que somente a palavra poderia livrar as pessoas de seus males. Erickson, ao contrário, dizia que o inconsciente entende as metáforas e processa as mudanças, sem necessidade da verbalização. O resultado positivo é o que vale”, afirma Sônia Eustáquia, que é ainda diretora clínica do CEPPA — Centro de Estudos Pesquisa e Psicologia Aplicada em Belo Horizonte.
Crianças pequenas, pessoas com doenças neurológicas ou debilidade mental não devem, a princípio, serem hipnotizadas
Para que a hipnose alcance seus objetivos, é preciso que o paciente esteja implicado no processo, que deseje de fato ser hipnotizado. Assim, crianças pequenas, portadores de algumas doenças neurológicas ou pessoas com debilidade mental não devem, a princípio, serem hipnotizadas. A hipnose também não é indicada em casos graves de depressão, pois os potenciais positivos do indivíduo estão em baixa, em situações assim, o que anula o sentido da técnica.
Prof. Paulo Flores Saicoski Psicoterapeuta Holístico
REG MEC.4026/92 REG. AEPERS 71/00 CRT. 35928
Licenciado em Filosofia, Psicologia e Sociologia.
Com curso de Parapsicologia, Teologia e Terapia de Regressão. Santa Maria/RS. E-mail:psaicoski@yahoo.com.br
Conviver com o medo dos pacientes é quase uma rotina na vida dos dentistas. Mas essa realidade, que atrapalha e muitas vezes até impede os tratamentos, pode melhorar. Depois de conquistar a maioria dos profissionais da Europa e dos Estados Unidos, a hipnose começa a surgir no Brasil como uma excelente ferramenta de trabalho para o odontologista.
Muito longe do ocultismo ou das ciências místicas, a hipnose é um procedimento cientificamente fundamentado. Ao longo da história, tem sido largamente utilizada como técnica curativa e foi ainda a primeira técnica de psicoterapia. No caso dos dentistas, a hipnose pode, em muitos casos, substituir as anestesias e diminuir os sangramentos e a salivação, facilitando muito o tratamento.
No Brasil, a utilização da hipnose é autorizada aos cirurgiões-dentistas no artigo 6° da Lei nº 5.081, de 24/08/66, que regula o exercício da Odontologia. No entanto, é necessário que os profissionais sejam devidamente habilitados. Para isso, começam a surgir cursos de hipnose direcionados para os profissionais da Odontologia.
O Cirurgião Dentista Gelson Crespo da Silva descobriu a hipnose há 15 anos. Desde que começou a exercer a profissão, o medo do paciente o incomodava bastante. Procurando uma forma mais humana de tratar seus pacientes, acabou fazendo um curso de hipnose na ABO e se tornando um pesquisador do assunto. “Antes de utilizar a hipnose com meus pacientes, eu absorvia o sofrimento deles e ficava muito estressado. Hoje, trabalho 10, 12 horas e termino meu dia sentindo-me muito bem”, conta Gelson, que é ainda psicanalista clínico e ministra cursos de hipnose em vários estados do Brasil.
Recursos inconscientes
A hipnose é um estado especial de consciência, intermediário entre o sono e a vigília. Nesse estado, o lado direito do cérebro, que trabalha a imaginação, é ativado, enquanto o lado esquerdo, mais racional, se relaxa. Na hipnose, a mente consciente permite a indução, deixando que a mente inconsciente se manifeste.
É através da voz monótona e repetitiva do dentista que o paciente alcança o estado hipnótico. Um ambiente calmo e tranquilo também ajuda. Através de técnicas específicas, as ondas cerebrais do paciente passam do estágio beta (da vigília) e atingem o estágio alfa da hipnose, quando o hipnoterapeuta pode sugestionar o paciente. Consegue, dessa forma, sugerir à mente hipnotizada que determinada parte do corpo está anestesiada.
Fazer uma anamnese nos pacientes antes de recorrer à hipnose é sempre importante, segundo Gelson. Aqueles com história psicótica, que têm a realidade mal estabelecida, não devem ser hipnotizados. Crianças abaixo de 4 anos e pessoas com mais idade, especialmente aquelas que não têm muita atividade intelectual, também constituem um público para o qual a hipnose é contraindicada.
Embora tenham medo do dentista, muitos pacientes também sentem medo da hipnose. Por isso, em alguns casos, o dentista precisará desmitificá-la. Ao contrário do que muitas pessoas imaginam, ninguém faz sob hipnose nada que não faria se não estivesse hipnotizado. Além disso, por questões éticas, nenhum profissional pode utilizar a hipnose sem o conhecimento do seu paciente.
Segundo Gelson, a chave do sucesso da hipnose nos consultórios é a boa integração entre o dentista e seu paciente. Ambos só têm a ganhar: o profissional pode trabalhar com mais tranquilidade e o paciente se livra do medo. “Além disso, o estado hipnótico é extremamente agradável para ele”, diz Gelson.
O fim da dor
Os processos fisiológicos que permitem ao corpo sob hipnose livrar-se da dor vêm sendo estudados e pesquisados. A teoria mais recente é a que considera os exteroceptores (os receptores da dor)1 e o sistema ativador reticular ascendente (SARA), feixes de células próximas ao cérebro.
Sempre que uma pessoa sabe que vai se submeter a algum processo doloroso, começa a liberar alguns hormônios, principalmente o cortisol, que produz estresse e acaba esgotando o cérebro. A hipnose faz com que o SARA induza a produção de hormônios serotonina (do bem-estar) e beta-endorfinas, criando um antagonismo com o cortisol.
Estudos recentes feitos a partir de tomografias computadorizadas comprovaram que a imagem do sistema ativador reticular ascendente se modifica do estado da dor para o bem estar quando o paciente está sob hipnose.
Lucia Seixas
Matéria originalmente publicada no site Medcenter™ Odontologia.
Atualizado em 2015/10/28
Notas
EXTEROCEPTOR:sm. (êxtero + lat capto, com apofonia + or) Biol. Órgão dos sentidos excitado por estímulos que se originam fora do corpo. | Dicionário online↩
Sentir aquele frio na barriga ao ouvir o motorzinho do dentista pode ficar apenas nas lembranças do passado. Técnicas usadas em consultórios odontológicos prometem mais conforto para quem fica nervoso só de pensar em agulhas, sangue e no tal barulhinho incômodo. De acordo com a experiência do profissional e o paciente, as técnicas podem variar desde uma simples conversa até hipnose.
A ortodontista Fernanda Palma diz que a maioria dos que têm medo passou por experiência negativa ou ouviu falar de alguém que sofreu na cadeira do dentista. Em muitos desses casos, uma boa conversa alivia a tensão. “Você explica o que vai fazer e o paciente ganha confiança. Muitos falam que achavam que o tratamento seria muito pior”. Em outros, em que a conversa não é suficiente, profissionais recorrem a técnicas como a máscara com óxido nitroso, conhecido como gás do riso.
Segundo o dentista Marcelo Kignel, da Clínica Kignel, a técnica — usada pela primeira vez em 1844, durante uma extração — pode ser aplicada em qualquer procedimento e por 99% das pessoas. Só não é recomendada para quem tem problemas respiratórios graves. “Em cinco minutos, o paciente tem uma sensação de conforto. Sente tudo um pouco anestesiado, tem vontade de relaxar e escuta a voz mais longe, mas fica consciente”. Quem passa pelo procedimento pode voltar imediatamente às atividades, pois o efeito do gás, que é administrado por meio de um nariz de borracha, passa rapidamente.
Outra técnica usada na Clínica Kignel é a sedação com anestésico intravenoso, por meio de soro. O procedimento é feito por médico anestesista, em casos de várias extrações e implantes, por exemplo. “O paciente cochila e às vezes acorda com frio ou com vontade de ir ao banheiro”, explica Kignel. Após o tratamento, basta acordar e ir para casa. As restrições, segundo o dentista, são avaliadas pelo médico, que conversa antes com o paciente, verifica se o procedimento é viável e se são necessários exames.
Especiais
A hipnose também pode ajudar a encarar o motorzinho. Especialista em cirurgia bucomaxilofacial e em pacientes com necessidades especiais, o dentista Claudio Gargione aplica a técnica há mais de 20 anos. Segundo ele, em um minuto, a pessoa chega ao estado hipnótico e fica o mais alerta possível. “Programamos o cérebro para aquele tipo de atendimento sem dor. Conseguimos controlar o sangramento e dispensamos anestesia”.
Paciente de Gargione há mais de três anos, a professora de educação física Mônica Bitti, de 32 anos, tem muito medo de anestesia. “Antes me sentia mal quando ia ao dentista. Com a hipnose, não tenho mais medo”.