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27 janeiro 2011

Hipnose usada na investigação da criatividade e da imaginação

IMAGEM: Citação de Albert Einstein

 

A criatividade é definida como a capacidade de transcender as ideias, normas, padrões e relações tradicionais, para criar novas e significativas ideias, formas, métodos, interpretações, etc. A criatividade é fácil de definir, mas os pesquisadores muitas vezes se perguntam como ela pode ser medida e como as pessoas têm diferentes aptidões para a criatividade. A hipnose auxilia na investigação da criatividade e também permite que os psicólogos estudem a relação entre a criatividade e a hipnotizabilidade.

A hipnose cria um estado alterado de consciência, o que a torna uma boa ferramenta para a investigação de estados criativos e da propensão à fantasia. Pensa-se que a hipnose pode levar a um avanço na compreensão da origem da inspiração criativa.

25 janeiro 2011

Hipnose traz benefícios durante a gravidez e no parto

FOTO: Hypnobirthing | Chaikhana Birth
Foto: Hypnobirthing | por Chaikhana Birth

 

Introdução

A hipnose tem sido usada durante o parto por aproximadamente cem anos. Muitas pesquisas têm sido realizadas para estudar os efeitos da hipnose sobre a gravidez e o parto. A hipnose tem sido utilizada em mulheres durante o trabalho de parto para ajudar a reduzir a dor. A hipnose pode ser usada como um analgésico natural, não só para reduzir a dor, mas também para reduzir o uso de analgésicos. Além do gerenciamento da dor, a auto-hipnose tem sido usada para controlar a respiração durante o trabalho de parto. Outros estudos mostram que a hipnose tem um benefício psicológico para as mães e para os recém-nascidos.

Uma meta-análise de estudos realizados envolvendo a hipnose com gestantes foi comparada a intervenções sem hipnose, tratamento padrão e placebo. Medições primárias na meta-análise incluíram a analgesia utilizada durante o trabalho de parto e também os níveis de dor durante o trabalho de parto. A meta-análise incluiu 8.395 mulheres que tinham usado a hipnose durante a gravidez ou no parto. A análise concluiu que menos mulheres necessitaram utilizar uma forma de analgesia durante o trabalho de parto. As mulheres que receberam a hipnose relataram dor menos severa do que aquelas nos grupos de controle.

Em outro estudo, sessenta gestantes participaram. As participantes foram divididas em dois grupos baseados em sua sugestionabilidade. Todas receberam informações sobre o trabalho de parto e dicas sobre o controle da dor. Estes dois grupos foram então subdivididos, e metade recebeu uma indução hipnótica e a outra metade aprendeu exercícios de respiração e de relaxamento. As mulheres no grupo da hipnose e no grupo de alta sugestionabilidade relataram menos dor. Aquelas que usaram a hipnose relataram usar menos medicação e tiveram um trabalho de parto de fase 1 mais curto.

Outra meta-análise sobre vários estudos realizados utilizando-se a hipnose com mulheres grávidas mostrou que a hipnose reduziu o nível de intervenção médica durante o parto, além de reduzir os riscos para as mulheres e para os recém-nascidos. Um estudo mostrou que mulheres que foram treinadas para usar a hipnose durante o trabalho de parto muito raramente experimentaram depressão pós-parto. A hipnose pode ajudar a controlar tanto a depressão quanto a ansiedade relacionados com a gravidez, o parto, e a perspectiva de se tornar mãe. Isso demonstra que a hipnose pode apresentar muitos benefícios para as mulheres e seus recém-nascidos.

Um estudo descobriu que as mulheres foram mais sugestionáveis no segundo e terceiro trimestres da gravidez. O estudo mostrou que à medida que a gravidez avançava, a sugestionabilidade aumentava de acordo com a Escala de Hipnotizabilidade de Harvard. As mulheres grávidas também apresentaram níveis altos na Escala de Imaginação Criativa. Este estudo analisou as mulheres em dois períodos de tempo, quando estavam grávidas e não grávidas.

A pesquisa mostra que se as mulheres são mais sugestionáveis durante a gravidez, há mais um motivo para se usar a hipnose durante a gravidez e o trabalho de parto.

 

Fontes

 

Matéria originalmente publicada pelo antigo e extinto site da SBHH — Sociedade Brasileira de Hipnose e Hipniatria.

 


Atualizado em 2015/12/19


 

23 janeiro 2011

Hipnose beneficia o sistema imunológico

IMAGEM: Sistema imunológico
Imagem: Sistema Imunológico | Google Imagens

 

Introdução

A gripe deverá atingir mais pessoas este ano em comparação com a média da temporada de gripe. Há muitas incertezas neste ano devido ao vírus influenza H1N1. O Centro de Controle de Doenças dos EUA diz que o vírus H1N1 causou a primeira pandemia (epidemia global) de gripe em 40 anos. A Organização Mundial da Saúde (OMS) acredita que o H1N1 vai deixar mais pessoas doentes, causar mais internações e mais mortes do que a média da temporada de gripe. Pesquisas demonstraram que a hipnose pode melhorar o sistema imunológico, melhorando assim o funcionamento do corpo.

Segundo o Centro de Controle de Doenças dos EUA, o momento é incerto. No passado, em estações de gripe a manifestação atingiu o seu pico nos meses de janeiro e fevereiro nos Estados Unidos. No entanto, o vírus H1N1 causou a doença, as hospitalizações e mortes durante os meses de verão, o que é altamente incomum. Não se sabe quando o vírus atingirá o seu pico e quanto tempo vai durar. Devido a esta incerteza, as pessoas devem ser precavidas em relação à manutenção de seu sistema imunológico para combater a gripe.

 

Pesquisas

Uma pesquisa realizada na Universidade Estadual de Washington, em Pullman, EUA, descobriu que a hipnose reforça dois diferentes tipos de células do sistema imunológico que combatem as doenças. Sessenta e cinco alunos participaram do estudo. Trinta e três participantes eram altamente hipnotizáveis e responderam bem à indução de hipnoterapia. Trinta e dois participantes tiveram dificuldade em atingir um estado hipnótico.

Todos os 65 participantes foram divididos em três grupos distintos. Um grupo recebeu hipnose, outro grupo recebeu terapia de relaxamento, e o terceiro grupo serviu como grupo de controle, não recebendo qualquer forma de terapia ou tratamento. Os resultados mostraram que os participantes que receberam a hipnose apresentaram um aumento importante em dois tipos de células brancas do sangue. Aqueles que eram altamente hipnotizáveis e receberam hipnose apresentaram o maior aumento de células brancas. Isso mostra que a hipnose pode ajudar as pessoas a aumentar sua contagem de células brancas do sangue e, assim, incrementar o seu sistema imunológico, permitindo um melhor combate às doenças (Ruzyla-Smith).

Pesquisadores da Universidade Estadual de Ohio determinaram que a hipnoterapia pode impedir o enfraquecimento do sistema imunológico devido ao estresse. A hipnose ajuda a fortalecer o sistema imunológico através de relaxamento. Para as pessoas que se preocupam muito, estão sempre ansiosas, ou são facilmente distraídas, a hipnose ajuda a acalmar, para que seu sistema imunológico não enfraqueça devido ao estresse. Quando a hipnose é induzida em uma pessoa, técnicas de relaxamento são utilizadas. O estresse é um contribuinte principal para um sistema imunológico enfraquecido. A hipnose age para aumentar o pensamento positivo através da sugestão, usando técnicas de relaxamento para diminuir o estresse (Holland).

 

Conclusão

É importante manter o sistema imunológico forte para ser capaz de combater as doenças e vírus. O uso da hipnose juntamente com uma alimentação saudável pode ajudar a manter o sistema imunológico forte. Reduzir o estresse e aumentar os glóbulos brancos pode aumentar muito suas chances de não contrair a gripe este ano.

 

Fontes:

  • Artigo original: www.naturalnews.com
  • Tradução: SBHH — Sociedade Brasileira de Hipnose e Hipniatria
  • Centers for Disease Control and Prevention. Questions and answers about the 2009-2010 flu season. Retrieved on October 23.
  • Holland, E. (2001). Hypnosis may prevent weakened immune status, improve health. Retrieved on October 30, 2009.
  • Ruzyla-Smith, Patricia et al. (1993). As reported at the annual meeting of the American Psychological Association.

 


Matéria originalmente publicada no extinto site da SBHH — Sociedade Brasileira de Hipnose e Hipniatria.

 


Atualizado em 2016/01/14


 

22 janeiro 2011

Tratamento de Fobias com Hipnose e a Técnica do Rebobinamento

GIF: Homem ouvindo música num walkman, e rebobinando uma fica cassete no lápis
Rebobinamento de uma fica cassete

 

Introdução

Fobias são bastante comuns. O Instituto Nacional de Saúde Mental dos Estados Unidos estima que entre 8 e 18% da população americana sofre de alguma fobia. Elas são a forma mais comum de um transtorno de ansiedade. Entre as mulheres de todas as idades, as fobias são a forma mais comum de transtorno mental e entre os homens com mais de 25 anos, as fobias são a segunda forma mais comum de transtorno mental. A hipnose é uma forma eficaz de tratamento das fobias (Kessler et al., 2005). Recentemente, uma nova técnica, chamada de Técnica do Rebobinamento (também conhecida como Cura Rápida de Fobia ou Dissociação Visual/Cinestésica), foi demonstrada como sendo muito eficaz para auxiliar as pessoas a livrarem-se de seus medos.

A fobia é um medo irracional que representa pouco ou nenhum perigo para as pessoas que sofrem do medo. Tipos de medo incluem o medo de altura, espaços pequenos, dirigir, voar e diferentes tipos de animais. Para acalmar seus medos, a maioria das pessoas tenta evitar aquilo que temem. Ao enfrentar o medo, os sintomas comuns da fobia que se manifestam incluem pânico, ansiedade, ritmo cardíaco acelerado, e falta de ar (Medline Plus).

O medo é um mecanismo de sobrevivência que foi uma parte muito importante na sobrevivência de nossa espécie em tempos remotos. Isso é inculcado em todos os seres humanos e agora as fobias são direcionadas de forma irracional. O objetivo da hipnoterapia é remover o padrão subconsciente da fobia. Uma técnica comum usada com a hipnoterapia é a chamada Técnica do Rebobinamento. Esta técnica é semelhante a uma técnica de Programação NeuroLinguística (PNL).

Esta técnica tem se revelado altamente eficaz, não importando quanto tempo a pessoa sofre da fobia. Além disso, não importa se a fobia ou os sintomas da fobia são graves ou não, pois a Técnica do Rebobinamento funciona com rapidez e eficiência, muitas vezes em uma única sessão.

A Técnica do Rebobinamento é aplicada depois que o hipnoterapeuta induz o estado de hipnose no paciente. Em seguida, o hipnoterapeuta guia o paciente através de imagens e de etapas para “rebobinar” a fobia. O hipnoterapeuta não precisa saber como a fobia começou e não precisa conhecer qualquer um dos sintomas que o paciente esteja sofrendo. Tudo que o hipnoterapeuta deve saber é como guiar os pacientes através da Técnica do Rebobinamento para auxiliá-lo a superar seu medo (Sherred).

Há muitos benefícios no uso da hipnose e da Técnica do Rebobinamento em pacientes que sofrem de fobias. É um método rápido e eficaz de auxiliar o paciente a superar sua fobia. Ele melhora a qualidade de vida e pode reduzir o uso de medicações que são muitas vezes utilizadas para tratar os sintomas da fobia.

Esta técnica também pode ser usada com pessoas que sofrem de estresse pós-traumático.

 

Fontes:

 


Atualizado em 2016/01/24


 

21 janeiro 2011

Hipnose e Tricotilomania

FIGURA: Exemplo de tricotilomania
Figura: Como Lidar com a Tricotilomania: 32 Passos (com Imagens) | wikiHow

 

Introdução

A tricotilomania é um transtorno do controle dos impulsos, causando a compulsão de puxar os cabelos, cílios e sobrancelhas. Aqueles que sofrem deste transtorno geralmente apresentam áreas calvas notáveis, as quais tentam encobrir com penteados, perucas ou roupas.

Os cabelos são geralmente arrancados fio por fio com os dedos ou com uma pinça, ao ler, pensar ou ver televisão, e com frequência sem que estejam conscientes do seu comportamento. O ato de puxar os cabelos também pode ocorrer durante o sono.

A tricotilomania (também referida como TTM), afeta entre um e três por cento da população e estima-se que afeta sete vezes mais mulheres do que homens.

 

Pesquisas

As pesquisas sobre as causas da tricotilomania estão ainda em estágios iniciais. As evidências preliminares sugerem que é uma desordem neurobiológica.

Em alguns casos, a mania de puxar os cabelos tem início durante uma época de estresse. Pode assemelhar-se a um hábito, um vício, um transtorno de tiques ou um transtorno obsessivo-compulsivo.

Para alguns, a tricotilomania pode ser tratada com um pouco de atenção e concentração extras. Para outros, a compulsão pode ser tão forte a ponto de interromper a rotina diária daqueles que sofrem deste transtorno.

Nenhum tratamento mostrou-se eficaz para todos.

A terapia comportamental cognitiva procura interceptar a atividade que desencadeia a compulsão de puxar os cabelos.

Alguns medicamentos, incluindo os inibidores seletivos de recaptação de serotonina (como o Prozac ou o Zoloft) apresentaram redução da gravidade dos sintomas. No entanto, a medicação não é geralmente a forma inicial de tratamento da tricotilomania.

As terapias alternativas, incluindo a hipnose, mudanças na dieta e exercícios físicos têm sido bem-sucedidas no tratamento de alguns doentes.

 

FONTE: ninemsn | News, Sport, Finance, Lifestyle, TV, Competitions, Horoscopes, Daily Quiz
Tradução: SBHH - Sociedade Brasileira de Hipnose e Hipniatria
Publicado originalmente pela extinta SBHH.

 


Atualizado em 2016/01/30


 

20 janeiro 2011

Auto-Hipnose como tratamento da Síndrome de Tourette

FOTO: Uma menina, de olhos azuis, segurando um bichinho de pelúcia
Foto por “Fãs da Psicanálise”

 

Introdução

Pesquisadores da área médica divulgaram um estudo de caso em pequena escala na última edição do Journal of Developmental & Behavioral Pediatrics, que sugere que técnicas de auto-hipnose podem ajudar pacientes com a Síndrome de Tourette a melhorar o controle sobre os tiques.

O Dr. Jeffrey Lazarus, coautor do estudo, e uma equipe de pesquisadores experimentaram uma série de técnicas de auto-hipnose em um grupo de trinta e três participantes. O estudo envolveu crianças e jovens com a Síndrome de Tourette, com idades entre seis e dezenove anos. Os investigadores conduziram as sessões durante um período de dois meses e meio. Os participantes assistiram a um vídeo de um jovem da sua idade descrevendo técnicas de auto-hipnose. Eles receberam técnicas de relaxamento e foram solicitados a focar nos sentimentos que ocorrem antes de um tique, bem como se livrar do tique. Foi solicitado aos participantes a prática das técnicas de auto-hipnose pelo menos três vezes ao dia, mantendo um relatório.

Na conclusão do estudo, doze indivíduos indicaram que haviam conseguido uma melhora dramática, com apenas duas sessões e o treinamento com vídeo. Treze tiveram o mesmo resultado após três sessões, e um participante após quatro sessões. O estudo concluiu que vinte e seis crianças se beneficiaram significativamente do regime de auto-hipnose.

O Dr. Lazarus afirma que a auto-hipnose apresenta várias vantagens sobre a terapia com drogas tradicionais, incluindo a ausência de efeitos colaterais das drogas e uma abordagem menos onerosa para desordens leves e moderadas de tiques, em comparação com produtos farmacêuticos.

Embora reconheçam os resultados do estudo, outros cientistas continuam céticos em relação ao estudo, citando o número pequeno de participantes e a falta de dados a longo prazo sobre o uso da técnica.
O estudo também não incluiu um grupo controle.

 

Fonte: “Nonpharmacological Treatment of Tics in Tourette Syndrome Adding Videotape Training to Self-Hypnosis”, Journal of Developmental & Behavioral Pediatrics.
Tradução: antiga SBHH - Sociedade Brasileira de Hipnose e Hipniatria

 


Atualizado em 2016/02/27


 

18 janeiro 2011

Hipnose no Controle da Dor em Pacientes com Câncer de Mama

FOTO: Mulher segurando fita que simboliza a luta contra o câncer de mama
Foto: Odontoquality ® | Clínicas Odontológicas

 

Introdução

A hipnose pode ser um meio eficaz de tratar a dor em mulheres com câncer de mama, de acordo com uma pesquisa.

De acordo com a Dra. Lisa D. Butler, autora principal do estudo, professora adjunta da Faculdade de Trabalho Social, membro do corpo docente do Centro de Pesquisa Social da Universidade de Buffalo, o estudo randomizado avaliou a dor e o sofrimento, a frequência da dor e o grau de dor constante em 124 mulheres com câncer de mama metastático.

Para chegar à conclusão, os pesquisadores registraram os níveis de dor em intervalos de quatro meses durante um ano. As mulheres que foram atribuídas ao grupo de tratamento receberam psicoterapia de grupo, bem como instrução e prática da hipnose para moderar seus sintomas de dor.

 

Relatos

Elas relataram “aumento significativamente menor na intensidade da dor e sofrimento ao longo do tempo”, em comparação com um grupo controle, onde as mulheres não receberam a psicoterapia de grupo.

No entanto, aquelas que receberam hipnose não relataram redução significativa na frequência ou na constância dos episódios de dor.

“Os resultados deste estudo sugerem que a experiência de dor e sofrimento para as pacientes com câncer de mama metastático pode ser reduzida com sucesso com uma intervenção que inclui hipnose num ambiente de terapia de grupo”, afirma Butler. “Esses resultados ampliam a crescente literatura apoiando o uso da hipnose como tratamento complementar para pacientes com experiência de dor”.

O estudo foi publicado no ano passado, (2009), em uma edição do periódico Health Psychology, da American Psychological Association.

 

Fontes: “Effects of Supportive-Expressive Group Therapy on Pain in Women With Metastatic Breast Cancer”, Lisa Butler.
Tradução: SBHH - Sociedade Brasileira de Hipnose e Hipniatria

 


Atualizado em 2016/01/23


 

13 janeiro 2011

Hipnose atinge partes do cérebro que os tomógrafos e as neurocirurgias não conseguem

IMAGEM: Várias engrenagens, de tamanhos diferentes, com reproduções em 3D de diferentes ângulos do cérebro humano
Google Imagens

 

Não mais um mero ato de um teatro de variedades, a hipnose está sendo usada em laboratórios para explicar o funcionamento mais profundo do cérebro.

 

Introdução

Sempre que A.R. vê um rosto, seus pensamentos são banhados em cores e cada identidade desencadeia a sua tonalidade própria e rica que brilha através dos olhos de sua mente. Esta experiência é um tipo de sinestesia, que, para cerca de uma em cada cem pessoas, automaticamente combina os sentidos. Algumas pessoas sentem o gosto de palavras, outras veem sons, mas A.R. experimenta cores com cada rosto que vê. Mas nesta ocasião, talvez pela primeira vez em sua vida, um rosto é apenas um rosto. Não há cores, ricos matizes, ou luzes internas.

Se a experiência é nova para A.R., é igualmente nova para a ciência, porque ninguém tinha suspeitado que a sinestesia pudesse ser revertida. Apesar da originalidade da descoberta, a técnica responsável pelo interruptor não é nem a estimulação cerebral de alta tecnologia, nem a mais moderna neurocirurgia, mas a antiga técnica da Hipnose.

 

Utilizando a hipnose

A reversão surpreendente da sinestesia de A.R. foi relatada em um estudo1 recente feito pelo psicólogo Devin Blair Terhune e seus colegas da Universidade de Lund, na Suécia. Os pesquisadores mostraram fotos de rostos com cores e matizes para A.R. e pediu-lhe para identificar o tom da cor na tela, enquanto a atividade elétrica de seu cérebro era medida com eletrodos no couro cabeludo.

Quando a cor do rosto na tela entrava em conflito com a cor que aparecia em sua mente, ela reagia lentamente, como se estivesse tentando ler semáforos com óculos coloridos. Enquanto isso, as medições elétricas mostravam seu cérebro se esforçando para resolver o conflito.

Mas após a reversão pela hipnose, ela passou sem problemas pelos nomes das cores, reagindo tão rapidamente como pessoas sem sinestesia, e não exibindo nenhum dos sinais neurológicos de tentar resolver tarefas mentais concorrentes. A hipnose não só alterou a sua experiência, mas modificou o funcionamento de vias específicas do cérebro de uma maneira que nós normalmente não podemos controlar somente com a vontade consciente.

Em um número crescente de laboratórios ao redor do mundo, a hipnose está sendo usada como uma ferramenta experimental para permitir que os investigadores temporariamente desfaçam nossas respostas psicológicas normalmente integradas para entender melhor a mente e o cérebro.

A sinestesia é uma associação psicológica automática que ocorre apenas em pouquíssimas pessoas, mas nós somos abençoados (e, de fato, amaldiçoados) com mentes que operam principalmente no piloto automático. Consideremos estas palavras, por exemplo. Enquanto você lê as palavras deste texto, você não está conscientemente identificando cada letra, conjugando-as em sua cabeça, e combinando o conjunto a uma memória do que significa, apenas parece acontecer automaticamente quando você vê cada uma.

 

O “Efeito Stroop”

Em uma analogia com a tarefa conflitante de cores de A.R., se eu pedir-lhe que nomeie a cor com a qual a palavra verde está destacada, eu espero que você diga vermelho. Acontece que você é ligeiramente mais lento em nomear a cor de realce quando esta se choca com a palavra (como em vermelho, verde e azul) do que quando as cores e as palavras são as mesmas (como em vermelho, verde e azul), porque não podemos decidir não ler as palavras quando as vemos — isso acontece automaticamente — e isso interfere com a tentativa de nomear a cor do realce.

 

Lista de nomes das cores, coloridos com sua própria cor
Diga em voz alta o nome de cada cor

 

Lista de nomes das cores, coloridos com cores diferentes das dos seus respectivos nomes
Diga em voz alta o nome de cada cor (novamente)

 

Esta interferência é conhecida como o Efeito Stroop e, juntamente com as respostas normais do cérebro que a acompanham, também foram revertidas com a hipnose “desligando” a leitura automática das palavras.

Se você não está familiarizado com a hipnose, eu suspeito que você possa imaginar cenas com um cavalheiro vitoriano balançando um relógio de bolso em um scanner cerebral, mas não há magia no procedimento — que apenas exige que alguém se concentre em sua voz. Mesmo a parte do relaxamento foi demonstrada como sendo opcional, depois que em um estudo inovador2 foi possível hipnotizar pessoas enquanto usavam bicicletas ergométricas.

Talvez a coisa mais importante à saber sobre a hipnose é que nem todo mundo é hipnotizável na mesma medida: inúmeras pesquisas têm demonstrado que cada um de nós difere em nossa suscetibilidade. A maioria das pessoas pode experimentar a sensação de seus braços estarem leves ou pesados através da sugestão de outra pessoa, um pouco menos pode sentir como se os movimentos estivessem sendo impedidos, e apenas uma minoria — cerca de 10% da população — experimenta mudanças no funcionamento da percepção, memória e pensamento.

Para aqueles que são “pouco hipnotizáveis”, a sensação de ser hipnotizado muitas vezes é como ouvir uma daquelas fitas um daqueles áudios de relaxamento um tanto quanto longos e chatos, mas para os altamente hipnotizáveis, conhecidos como “prodígios” na literatura científica, os efeitos são convincentes.

Não sabemos por que temos essa tendência, mas sabemos que é em parte genética3, que é influenciada4 por genes específicos5, e tem sido associada a diferenças na estrutura cerebral6.

Esta característica parece estar normalmente distribuída por toda a população e não foram encontrados métodos confiáveis para se alterar o quanto somos hipnotizáveis. Provavelmente, algumas pessoas possuem esta característica, enquanto outras não. Esta característica é geralmente descrita como “sugestionabilidade”, mas não tem nada a ver com ingenuidade ou a ser facilmente conduzido. Pessoas suscetíveis à hipnose não são ingênuas, crédulas ou têm confiança mais do que ninguém, mas elas têm a capacidade de permitir mudanças aparentemente involuntárias em suas mentes e seus corpos.

A frase chave aqui é que elas “têm a capacidade de (se) permitir”, porque a hipnose não pode ser usada para forçar alguém contra sua vontade. É um pouco como assistir um filme emocional. Se você quiser, você pode permanecer distante, ignorar o que está acontecendo, ou jogar Sudoku na sua cabeça, mas se você se envolve com a história, você não decide conscientemente se sentirá alegria ou tristeza à medida que a história avança, você simplesmente reage. A hipnose funciona de forma semelhante — algumas pessoas simplesmente parecem ter a capacidade de conseguir “se envolver mais na história”.

Quando uma sugestão é bem-sucedida, a experiência dela parecendo “acontecer por si só” é fundamental, e é exatamente com isso que os neurocientistas têm trabalhado — sugerindo mudanças temporárias para a mente que não seríamos necessariamente capazes de desencadear por conta própria. No caso dos dois experimentos7, 8 que conseguiram temporariamente “desligar” o efeito Stroop em pessoas altamente hipnotizáveis, a sugestão era que as palavras pareciam como “símbolos sem sentido”. Isso evitou um conflito entre a cor e a palavra, porque o texto repentinamente parecia ser algo sem sentido.

Estes estudos têm sido úteis, pois eles descobriram que o sistema de resolução de demandas conflitantes do cérebro, parte do nosso sistema de gestão da atenção, parecia ficar desligado. Os prodígios da hipnose aparentemente têm a capacidade de colocar este sistema em modo de espera quando necessário, algo que não está presente nos pouco hipnotizáveis. Os neurocientistas Amir Raz e Jason Buhle sugerem9 que a hipnose acontece realmente quando nós permitimos que as sugestões assumam nosso controle da atenção normalmente autodirigido que lida com a autogestão mental, permitindo que a ciência tenha uma ferramenta interessante para “penetrar por baixo da capa” da mente consciente.

Além de nos permitir explorar melhor os detalhes básicos da mente e do cérebro, a hipnose está sendo usada também para simular experiências que normalmente causam problemas às pessoas, tais como alucinações ou perda de controle sobre o corpo. Como os efeitos das sugestões são apenas temporários, a hipnose pode ser usada para disparar essas experiências sem problemas e por apenas alguns minutos de cada vez. Os “prodígios” são muito procurados para experimentos que envolvem o escaneamento do cérebro, onde os pesquisadores analisam os padrões de atividade cerebral quando, por exemplo, eles são convidados a ouvir uma música ilusória ou sentir como se não pudessem mover a mão.

Vários grupos de pesquisa têm mostrado10 que a hipnose parece emular essas experiências acuradamente e que os efeitos sobre o cérebro são diferentes daqueles quando os participantes são convidados a falsificar ou imaginar a mesma coisa — ambas as comparações são importantes porque não podemos distinguir apenas a partir do que alguém diz que está realmente experimentando os efeitos (como podem atestar os pais de crianças tímidas em relação à escola que apresentam dores de estômago misteriosamente cronometradas).

Nosso próprio grupo de pesquisas está usando a hipnose para simular mudanças no controle do corpo11, em parte para examinar se processos cerebrais semelhantes estão envolvidos tanto na hipnose quanto em uma doença chamada transtorno de conversão — onde o que parecem ser sintomas neurológicos aparece, como paralisia ou cegueira, apesar de não haver danos no sistema nervoso, que poderiam explicá-los.

Até onde sabemos, parece haver semelhança entre a doença e os efeitos da hipnose, onde os sistemas de atenção do lobo frontal parecem fazer com que outras áreas do cérebro fiquem desligadas. O que não temos certeza, é porque isso é apenas temporário na hipnose, mas a longo prazo no transtorno de conversão.

Mas talvez ainda o mais misterioso seja o porquê de termos a capacidade de sermos hipnotizados. Como uma espécie, cerca de 10% da população pode ter sua realidade alterada profundamente, pela simples sintonia a sugestões feitas por outra pessoa — algo que é profundamente estranho quando se pensa a respeito.

A hipnotizabilidade dos “prodígios” nunca foi ligada com segurança a quaisquer problemas ou dificuldades, e tem sido sugerido que, ao contrário, ela na realidade reflete um controle mais eficiente dos sistemas de atenção do cérebro. Pode ser um efeito colateral de outros benefícios, mas nós ainda não temos boas teorias.

 

Por Vaughan Bell, do blog de neurociência Mind Hacks.

 

Fonte: www.guardian.co.uk
Tradução: SBHH - Sociedade Brasileira de Hipnose e Hipniatria
Originalmente publicado no site da extinta SBHH - Sociedade Brasileira de Hipnose e Hipniatria.

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Se você tiver alguma sugestão, deixe-me saber. Utilize o campo de comentários logo abaixo! ;)

 

Notas

1 Terhune, D. B., Cardeña, E. & Lindgren, M., Disruption of synaesthesia by posthypnotic suggestion: An ERP study. Neuropsychologia, September 2010, Volume 48, Issue 11, pp. 3360–3364. [Página visitada em 25 de Janeiro de 2016] ↵

2 Banyai, Eva I. & Hilgard, Ernest R., A comparison of active-alert hypnotic induction with traditional relaxation induction. Journal of Abnormal Psychology, April 1976, Volume 85(2), pp. 218-224. [Página visitada em 25 de Janeiro de 2016] ↵

3 Davert, Edna C., Hilgard, Ernest R. & Morgan, Arlene H., The heritability of hypnotic susceptibility of twins: A preliminary report. Behavior Genetics, August 1970, Volume 1, Issue 3, pp. 213-224. [Página visitada em 25 de Janeiro de 2016] ↵

4 Lichtenberg, P., Bachner-Melman, R., Gritsenko, I. & Ebstein, R. P., Exploratory association study between catechol-O-methyltransferase (COMT) high/low enzyme activity polymorphism and hypnotizability. American Journal of Medical Genetics, December 2000, Volume 96: pp. 771–774. [Página visitada em 25 de Janeiro de 2016] ↵

5 Bachner-Melman, R., Crawford, Helen J., Ebstein, Richard P., & Lichtenberg, P., Hypnotic Susceptibility: Multidimensional Relationships With Cloninger’s Tridimensional Personality Questionnaire, COMT Polymorphisms, Absorption, and Attentional Characteristics. International Journal of Clinical and Experimental Hypnosis, 2004, Volume 52, Issue 1, pp. 47-72. [Página visitada em 25 de Janeiro de 2016] ↵

6 Horton, James E., Crawford, Helen J., Harrington, G. & Brain, J. H. D., Increased anterior corpus callosum size associated positively with hypnotizability and the ability to control pain. August 2004, 127 (8). [Página visitada em 25 de Janeiro de 2016] ↵

7 Fan, Jin, Posner, Michael I., Raz, Amir, Hypnotic suggestion reduces conflict in the human brain., Sackler Institute for Developmental Psychobiology, Weill Medical College of Cornell University, New York, NY, Current Issue, April 2005, Volume 102 Nº. 28. [Página visitada em 25 de Janeiro de 2016] ↵

8 Egner, T., Jamieson, G., Gruzelier, J., Hypnosis decouples cognitive control from conflict monitoring processes of the frontal lobe. NeuroImage, Volume 27, Issue 4, October 2005, pp. 969–978. [Página visitada em 25 de Janeiro de 2016] ↵

9 Buhle, J. & Raz, A., Typologies of attentional networks. Nature Reviews Neuroscience 7, May 2006, pp. 367-379. [Página visitada em 25 de Janeiro de 2016] ↵

10 Oakley, D. A. & Halligan, P. W., Hypnotic suggestion and cognitive neuroscience. Trends in Cognitive Sciences, June 2009, Volume 13, Issue 6, pp. 264-270. [Página visitada em 25 de Janeiro de 2016] ↵

11 Bell, V., Deeley, Q., Halligan, P. W. & Oakley, D. A., Dissociation in hysteria and hypnosis: evidence from cognitive neuroscience. Journal of Neurology, Neurosurgery & Psychiatry, 2010. [Página visitada em 25 de Janeiro de 2016] ↵

 


Atualizado em 2016/01/26


 

10 janeiro 2011

Hipnose pode impedir o sono ao volante e acidentes

FOTO: Homem dormindo ao volante
Foto: www.interne.com.br

 

Estima-se que 63% dos norte-americanos dormem menos de oito horas por dia e que 31% dormem menos de sete horas. Dois terços dos americanos têm insônia ou dizem não conseguir dormir bem, pelo menos algumas noites por semana. Portanto, quando você se sentir sonolento, isso significa que você não dormiu o suficiente.