A hipnose pode ser um meio eficaz de tratar a dor em mulheres com câncer de mama, de acordo com uma pesquisa.
De acordo com a Dra. Lisa D. Butler, autora principal do estudo, professora adjunta da Faculdade de Trabalho Social, membro do corpo docente do Centro de Pesquisa Social da Universidade de Buffalo, o estudo randomizado avaliou a dor e o sofrimento, a frequência da dor e o grau de dor constante em 124 mulheres com câncer de mama metastático.
Para chegar à conclusão, os pesquisadores registraram os níveis de dor em intervalos de quatro meses durante um ano. As mulheres que foram atribuídas ao grupo de tratamento receberam psicoterapia de grupo, bem como instrução e prática da hipnose para moderar seus sintomas de dor.
Relatos
Elas relataram “aumento significativamente menor na intensidade da dor e sofrimento ao longo do tempo”, em comparação com um grupo controle, onde as mulheres não receberam a psicoterapia de grupo.
No entanto, aquelas que receberam hipnose não relataram redução significativa na frequência ou na constância dos episódios de dor.
“Os resultados deste estudo sugerem que a experiência de dor e sofrimento para as pacientes com câncer de mama metastático pode ser reduzida com sucesso com uma intervenção que inclui hipnose num ambiente de terapia de grupo”, afirma Butler. “Esses resultados ampliam a crescente literatura apoiando o uso da hipnose como tratamento complementar para pacientes com experiência de dor”.
Mais de 600 casos já foram elucidados pelo laboratório de Hipnose Forense do Instituto de Criminalística do Paraná. Desde a sua inauguração, em dezembro de 1999, o laboratório, único na América Latina, recebe regularmente solicitações de aplicação de hipnose proveniente de várias cidades e de outros Estados do Brasil. O Paraná é pioneiro na aplicação da técnica do hipnotismo no auxílio de investigações de casos policiais.
O laboratório é coordenado pelo psicólogo e psiquiatra Rui Fernando Cruz Sampaio e realiza em média seis atendimentos por mês. Os processos de hipnose são solicitados com maior frequência por delegados de polícia, porém promotores e juízes também pedem a ajuda do laboratório.
Na investigação criminal, a hipnose é utilizada como ferramenta de auxílio para elucidação de casos em que a testemunha ou vítima tem algum bloqueio mental decorrente do trauma sofrido. Vítimas de estupro, sequestro, assalto e atropelamento podem ter dificuldades para dar informações para confecção do retrato falado ou de características do local do crime.
Os relatos dados durante o processo de hipnose não são considerados como provas testemunhais. “Eles apenas indicam os caminhos a serem seguidos para a solução dos casos”, explica Sampaio.
Atropelamento
Há cerca de três anos, houve um atropelamento com duas vítimas fatais em Ponta Grossa. A polícia tinha apenas duas testemunhas do crime e uma pista: um Ômega bordô. As duas testemunhas foram submetidas à hipnose no laboratório. Suas declarações deram um novo rumo às investigações.
Uma das informações concedidas revelava que a cor do carro era azul. Após as investigações, a polícia descobriu um carro com as características citadas pelas testemunhas durante o hipnotismo em uma oficina mecânica na cidade. A perícia identificou alguns respingos de sangue na parte frontal do veículo e o proprietário foi indiciado como o responsável pelo atropelamento.
Assassinato
Em outro caso, Sampaio atendeu uma mulher que presenciou o assassinato de seu marido. Cerca de 16 anos depois do homicídio, ela foi hipnotizada e teve sua memória regredida até a data do crime. “Ela tinha uma grande clareza de tudo o que aconteceu no momento do crime. Aquela senhora reviveu o fato” disse Sampaio.
Com as informações resgatadas, foi possível fazer o retrato-falado do homicida. A mulher também conseguiu lembrar como o marido foi morto: a golpes de enxada. “Ela viu um ‘filme’ de como tudo aconteceu e ficou bastante emocionada com a lembrança do marido assassinado”, completou.
Com o passar dos anos, as técnicas foram sendo aperfeiçoadas e atualmente o resultado das investigações auxiliadas pela hipnose são bastante expressivos “Hoje, o índice de confiabilidade das informações obtidas numa sessão de hipnotismo é de praticamente 90%”, afirmou Sampaio.
Andarilho
Em maio de 2001, um jovem andarilho aparentando 20 anos de idade vivia perambulando pelas ruas de Fazenda Rio Grande, na Região Metropolitana de Curitiba. Indagado sobre sua família e o lugar onde morava, o rapaz demonstrou sinais de amnésia. Lembrava-se apenas que viveu com um grupo de ciganos. Encaminhado ao laboratório do Instituto de Criminalística da Polícia Civil do Paraná, o jovem foi submetido ao processo de hipnotismo e mais um caso surpreendente foi elucidado.
Em transe, ele descreveu uma cidade, um rio, uma praça e uma fábrica de sucos. Entre suas revelações, houve constante repetição das palavras “esplanada” e “estância”. Durante a sessão, o andarilho também conseguiu lembrar do seu apelido de infância, Cuca, e o do seu irmão, Biro-biro. Após as investigações, descobriu-se que Esplanada era uma cidade na Bahia e Estância outra em Sergipe, separadas por 88 quilômetros.
A polícia entrou em contato com assistentes sociais nas duas cidades nordestinas e conseguiu localizar uma família em Esplanada. A cidade baiana é igual à descrição dada pelo jovem durante a sessão de hipnotismo.
Após o encontro com a família, foram realizados exames de DNA para verificar o laço familiar. Comprovado o parentesco, descobriu-se que o jovem havia sido raptado por ciganos que passavam pela cidade quando tinha oito anos.
Antes de viver em Fazenda Rio Grande o menino havia morado em Belo Horizonte, em Minas Gerais, e São Paulo. Depois que começou a sofrer maus tratos da família de ciganos, ele decidiu fugir.
Fonte: Agência de Notícias Estado do Paraná
Originalmente publicado no blog PNL, Hipnose, Motivação
Atualizando os números
Eu, Samej Spenser, tive a honra de conhecer o Dr. Rui Sampaio no curso de Hipnose Clínica em Curitiba, (Dez/2010), e conversando com o Dr. Rui, fui informado que os crimes solucionados com a ajuda da Hipnose já ultrapassam a casa dos 700.
E como adendo, deixo abaixo uma entrevista com o Dr. Rui Sampaio ao amigo Valdecy Carneiro, (onde o Dr. Rui afirma que com o auxílio da Hipnose, mais de 800 casos foram resolvidos), realizada em Julho de 2015:
Não mais um mero ato de um teatro de variedades, a hipnose está sendo usada em laboratórios para explicar o funcionamento mais profundo do cérebro.
Introdução
Sempre que A.R. vê um rosto, seus pensamentos são banhados em cores e cada identidade desencadeia a sua tonalidade própria e rica que brilha através dos olhos de sua mente. Esta experiência é um tipo de sinestesia, que, para cerca de uma em cada cem pessoas, automaticamente combina os sentidos. Algumas pessoas sentem o gosto de palavras, outras veem sons, mas A.R. experimenta cores com cada rosto que vê. Mas nesta ocasião, talvez pela primeira vez em sua vida, um rosto é apenas um rosto. Não há cores, ricos matizes, ou luzes internas.
Se a experiência é nova para A.R., é igualmente nova para a ciência, porque ninguém tinha suspeitado que a sinestesia pudesse ser revertida. Apesar da originalidade da descoberta, a técnica responsável pelo interruptor não é nem a estimulação cerebral de alta tecnologia, nem a mais moderna neurocirurgia, mas a antiga técnica da Hipnose.
Utilizando a hipnose
A reversão surpreendente da sinestesia de A.R. foi relatada em um estudo1 recente feito pelo psicólogo Devin Blair Terhune e seus colegas da Universidade de Lund, na Suécia. Os pesquisadores mostraram fotos de rostos com cores e matizes para A.R. e pediu-lhe para identificar o tom da cor na tela, enquanto a atividade elétrica de seu cérebro era medida com eletrodos no couro cabeludo.
Quando a cor do rosto na tela entrava em conflito com a cor que aparecia em sua mente, ela reagia lentamente, como se estivesse tentando ler semáforos com óculos coloridos. Enquanto isso, as medições elétricas mostravam seu cérebro se esforçando para resolver o conflito.
Mas após a reversão pela hipnose, ela passou sem problemas pelos nomes das cores, reagindo tão rapidamente como pessoas sem sinestesia, e não exibindo nenhum dos sinais neurológicos de tentar resolver tarefas mentais concorrentes. A hipnose não só alterou a sua experiência, mas modificou o funcionamento de vias específicas do cérebro de uma maneira que nós normalmente não podemos controlar somente com a vontade consciente.
Em um número crescente de laboratórios ao redor do mundo, a hipnose está sendo usada como uma ferramenta experimental para permitir que os investigadores temporariamente desfaçam nossas respostas psicológicas normalmente integradas para entender melhor a mente e o cérebro.
A sinestesia é uma associação psicológica automática que ocorre apenas em pouquíssimas pessoas, mas nós somos abençoados (e, de fato, amaldiçoados) com mentes que operam principalmente no piloto automático. Consideremos estas palavras, por exemplo. Enquanto você lê as palavras deste texto, você não está conscientemente identificando cada letra, conjugando-as em sua cabeça, e combinando o conjunto a uma memória do que significa, apenas parece acontecer automaticamente quando você vê cada uma.
O “Efeito Stroop”
Em uma analogia com a tarefa conflitante de cores de A.R., se eu pedir-lhe que nomeie a cor com a qual a palavra verde está destacada, eu espero que você diga vermelho. Acontece que você é ligeiramente mais lento em nomear a cor de realce quando esta se choca com a palavra (como em vermelho, verde e azul) do que quando as cores e as palavras são as mesmas (como em vermelho, verde e azul), porque não podemos decidir não ler as palavras quando as vemos — isso acontece automaticamente — e isso interfere com a tentativa de nomear a cor do realce.
Diga em voz alta o nome de cada cor
Diga em voz alta o nome de cada cor (novamente)
Esta interferência é conhecida como o Efeito Stroop e, juntamente com as respostas normais do cérebro que a acompanham, também foram revertidas com a hipnose “desligando” a leitura automática das palavras.
Talvez a coisa mais importante à saber sobre a hipnose é que nem todo mundo é hipnotizável na mesma medida: inúmeras pesquisas têm demonstrado que cada um de nós difere em nossa suscetibilidade. A maioria das pessoas pode experimentar a sensação de seus braços estarem leves ou pesados através da sugestão de outra pessoa, um pouco menos pode sentir como se os movimentos estivessem sendo impedidos, e apenas uma minoria — cerca de 10% da população — experimenta mudanças no funcionamento da percepção, memória e pensamento.
Para aqueles que são “pouco hipnotizáveis”, a sensação de ser hipnotizado muitas vezes é como ouvir uma daquelas fitas um daqueles áudios de relaxamento um tanto quanto longos e chatos, mas para os altamente hipnotizáveis, conhecidos como “prodígios” na literatura científica, os efeitos são convincentes.
Não sabemos por que temos essa tendência, mas sabemos que é em parte genética3, que é influenciada4 por genes específicos5, e tem sido associada a diferenças na estrutura cerebral6.
Esta característica parece estar normalmente distribuída por toda a população e não foram encontrados métodos confiáveis para se alterar o quanto somos hipnotizáveis. Provavelmente, algumas pessoas possuem esta característica, enquanto outras não. Esta característica é geralmente descrita como “sugestionabilidade”, mas não tem nada a ver com ingenuidade ou a ser facilmente conduzido. Pessoas suscetíveis à hipnose não são ingênuas, crédulas ou têm confiança mais do que ninguém, mas elas têm a capacidade de permitir mudanças aparentemente involuntárias em suas mentes e seus corpos.
A frase chave aqui é que elas “têm a capacidade de (se) permitir”, porque a hipnose não pode ser usada para forçar alguém contra sua vontade. É um pouco como assistir um filme emocional. Se você quiser, você pode permanecer distante, ignorar o que está acontecendo, ou jogar Sudoku na sua cabeça, mas se você se envolve com a história, você não decide conscientemente se sentirá alegria ou tristeza à medida que a história avança, você simplesmente reage. A hipnose funciona de forma semelhante — algumas pessoas simplesmente parecem ter a capacidade de conseguir “se envolver mais na história”.
Quando uma sugestão é bem-sucedida, a experiência dela parecendo “acontecer por si só” é fundamental, e é exatamente com isso que os neurocientistas têm trabalhado — sugerindo mudanças temporárias para a mente que não seríamos necessariamente capazes de desencadear por conta própria. No caso dos dois experimentos7,8 que conseguiram temporariamente “desligar” o efeito Stroop em pessoas altamente hipnotizáveis, a sugestão era que as palavras pareciam como “símbolos sem sentido”. Isso evitou um conflito entre a cor e a palavra, porque o texto repentinamente parecia ser algo sem sentido.
Estes estudos têm sido úteis, pois eles descobriram que o sistema de resolução de demandas conflitantes do cérebro, parte do nosso sistema de gestão da atenção, parecia ficar desligado. Os prodígios da hipnose aparentemente têm a capacidade de colocar este sistema em modo de espera quando necessário, algo que não está presente nos pouco hipnotizáveis. Os neurocientistas Amir Raz e Jason Buhle sugerem9 que a hipnose acontece realmente quando nós permitimos que as sugestões assumam nosso controle da atenção normalmente autodirigido que lida com a autogestão mental, permitindo que a ciência tenha uma ferramenta interessante para “penetrar por baixo da capa” da mente consciente.
Além de nos permitir explorar melhor os detalhes básicos da mente e do cérebro, a hipnose está sendo usada também para simular experiências que normalmente causam problemas às pessoas, tais como alucinações ou perda de controle sobre o corpo. Como os efeitos das sugestões são apenas temporários, a hipnose pode ser usada para disparar essas experiências sem problemas e por apenas alguns minutos de cada vez. Os “prodígios” são muito procurados para experimentos que envolvem o escaneamento do cérebro, onde os pesquisadores analisam os padrões de atividade cerebral quando, por exemplo, eles são convidados a ouvir uma música ilusória ou sentir como se não pudessem mover a mão.
Vários grupos de pesquisa têm mostrado10 que a hipnose parece emular essas experiências acuradamente e que os efeitos sobre o cérebro são diferentes daqueles quando os participantes são convidados a falsificar ou imaginar a mesma coisa — ambas as comparações são importantes porque não podemos distinguir apenas a partir do que alguém diz que está realmente experimentando os efeitos (como podem atestar os pais de crianças tímidas em relação à escola que apresentam dores de estômago misteriosamente cronometradas).
Nosso próprio grupo de pesquisas está usando a hipnose para simular mudanças no controle do corpo11, em parte para examinar se processos cerebrais semelhantes estão envolvidos tanto na hipnose quanto em uma doença chamada transtorno de conversão — onde o que parecem ser sintomas neurológicos aparece, como paralisia ou cegueira, apesar de não haver danos no sistema nervoso, que poderiam explicá-los.
Até onde sabemos, parece haver semelhança entre a doença e os efeitos da hipnose, onde os sistemas de atenção do lobo frontal parecem fazer com que outras áreas do cérebro fiquem desligadas. O que não temos certeza, é porque isso é apenas temporário na hipnose, mas a longo prazo no transtorno de conversão.
Mas talvez ainda o mais misterioso seja o porquê de termos a capacidade de sermos hipnotizados. Como uma espécie, cerca de 10% da população pode ter sua realidade alterada profundamente, pela simples sintonia a sugestões feitas por outra pessoa — algo que é profundamente estranho quando se pensa a respeito.
A hipnotizabilidade dos “prodígios” nunca foi ligada com segurança a quaisquer problemas ou dificuldades, e tem sido sugerido que, ao contrário, ela na realidade reflete um controle mais eficiente dos sistemas de atenção do cérebro. Pode ser um efeito colateral de outros benefícios, mas nós ainda não temos boas teorias.
Por Vaughan Bell, do blog de neurociência Mind Hacks.
Fonte: www.guardian.co.uk Tradução: SBHH - Sociedade Brasileira de Hipnose e Hipniatria
Originalmente publicado no site da extintaSBHH - Sociedade Brasileira de Hipnose e Hipniatria.
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7Fan, Jin, Posner, Michael I., Raz, Amir, Hypnotic suggestion reduces conflict in the human brain., Sackler Institute for Developmental Psychobiology, Weill Medical College of Cornell University, New York, NY, Current Issue, April 2005, Volume 102 Nº. 28. [Página visitada em 25 de Janeiro de 2016] ↵
9Buhle, J. & Raz, A., Typologies of attentional networks. Nature Reviews Neuroscience 7, May 2006, pp. 367-379. [Página visitada em 25 de Janeiro de 2016] ↵
10Oakley, D. A. & Halligan, P. W., Hypnotic suggestion and cognitive neuroscience. Trends in Cognitive Sciences, June 2009, Volume 13, Issue 6, pp. 264-270. [Página visitada em 25 de Janeiro de 2016] ↵
Hipnólogos são as novas armas das empresas para trazer à tona as competências dos profissionais, melhorar o desempenho e as relações interpessoais. Eles usam várias técnicas, como Programação NeuroLinguística (PNL), terapia e coaching.
Pode parecer estranho, mas a hipnose tem sido utilizada no ambiente de trabalho para o desenvolvimento de competências e até para melhorar as relações interpessoais. Há várias técnicas e aplicabilidades, como assertividade, liderança, comunicação e comprometimento. E os métodos são escolhidos de acordo com as necessidades de cada empresa e podem ser aplicados de muitas maneiras, entre elas palestras, cursos, treinamentos e até por meio de consultas particulares.
Estima-se que 63% dos norte-americanos dormem menos de oito horas por dia e que 31% dormem menos de sete horas. Dois terços dos americanos têm insônia ou dizem não conseguir dormir bem, pelo menos algumas noites por semana. Portanto, quando você se sentir sonolento, isso significa que você não dormiu o suficiente.